A entrevista literaria

>> segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


23. A entrevista literária

Como sou curiosa do que se diz em matéria de livros, logo que há na televisão um programa dito ‘literário’, lá me têm como atenta auditora. E entrevista a escritor publicada em jornal ou revista também pode contar com esta leitora. Gosto de saber como o escritor enfrenta o acto da escrita, interessa-me a sua opinião sobre temas literários, e por pouco que diga, alguma coisa lá ficará.
Em televisão os programas são em geral curtos, o tempo televisiva é caro, as grandes entrevistas não são para discutir literatura. O entrevistador não levanta problemas, não têm dúvida quanto à excelente qualidade da obra de que se vai falar. Olha para o entrevistado com respeitosa simpatia, ouve com ar compenetrado as suas opiniões e divagações.
De alguns percebe-se que de literatura pouco sabem, e de livros pouco mais conhecem do que as ultimas novidades de autores portugueses e de alguns autores americanos. Conhecem talvez a literatura sul americana e africana, da literatura do nosso continente é que estão um pouco esquecidos. O que não tem importância, porque os ouvintes também nada sabem.
Uma escritora francesa, de quem se ia lançar o primeiro livro, conta como o seu director literário, que estava também a cargo das relações públicas da editora, propusera filmá-la numa entrevista e fazer um vídeo para juntar ao comunicado que se enviaria aos médias.
A autora gostou da ideia. A entrevista dava-lhe ocasião de ganhar algum à vontade para falar no seu romance. A coisa não teria nada de profissional, nem tinha essa pretensão. Uma óptima ideia.
Aceito-o. O que penso é que não se pode confundir duas coisas tão diferentes como a entrevista literária, e a apresentação para fins comerciais de um livro por meio de uma troca de impressões e de amabilidades entre um autor e um apresentador.
Os leitores de entrevistas escritas são um pouco mais exigentes do que os auditores da entrevista de televisão, e a qualidade do entrevistador é outra. Há naturalmente bons e maus entrevistadores. Há o ‘conhecedor’, que sabe tanto ou mais do livro que o seu autor, encontrando nele o que o seu criador nunca imaginou. Há o entrevistador socialmente empenhado, unicamente interessado em romances que foquem problemas sociais, há a entrevistadora feminista, há o entrevistador das estrelas do momento. O facto é que se banalizou o género.
Originalmente, a entrevista literária não era feita a principiantes, e não era o primeiro livro de um autor que se discutia. A entrevista era feita a alguém que já tinha uma obra, era da sua obra que se falava e destinava-se a leitores com conhecimentos e gostos literários. Felizmente ainda se fazem entrevistas deste tipo.
Tanto quanto sei o género nasceu em fins do século XIX e em França, onde a literatura sempre foi considerada um tema sério. Num livro intitulado “Lire, écrire et en parler”, “Ler, escrever e falar nisso”, que contém uma colecção de cinquenta e cinco entrevistas publicadas na revista Lire entre 1975 e 85, Bernard Pivot, um dos entrevistadores, introduz a obra com um dialogo imaginado sobre o que seja esta curiosa coisa que é a “entrevista”.
Traduzo:
--A propósito-- pergunta um dos interlocutores --de quando data esta mania de ir chatear escritores em suas casas para os bombardear de perguntas espantosas sobre os seus livros e a sua vida?.
--Desde o fim do século passado (sec. XIX), responde o outro --quando floresceram as primeiras entrevistas nas gazetas--.
--Mas foram os jornais, a rádio, a televisão que criaram essa engrenagem. Que satisfazem uma necessidade do jornalista e do público e não uma necessidade dos escritores alega o primeiro. De resto quando a grande imprensa não existia, os escritores não comentavam as suas obras, e não se sentiam frustrados por isso.
--Errado--responde o segundo--Os escritores sempre sentiram a necessidade de comentar as suas obras. Mas como a entrevista ainda não fora inventada, eles faziam preceder a sua obra de um prefácio, de uma espécie de ‘forma de usar’, que intitulavam – e não por acaso – ‘ao leitor’.*
Conto-me entre os leitores que lêem os prefácios, e, em matéria de entrevista literária, sou nela a terceira pessoa. Aquela que - sem que a sua presença seja notada - assiste à conversa, e a segue com o interesse de conhecedora.
No livro que citei, Pierre Boncenne, um dos autores das entrevistas, pergunta a Ângelo Rinaldi, autor de livros e critico literário, o que ele pensava da entrevista:
“Como critico literário em que posição coloca a conversa, a entrevista, literária?”
Ângelo Rinaldi: “Numa posição importante. Sou amador de diários íntimos, os romances que escrevo são na primeira pessoa. Gosto muito do tom de confissão. Leio portanto muitas entrevistas. É nos momentos de abandono, no fundo da conversa, que tempos por vezes a sensação de apanhar a pessoa, melhor do que na apreciação da sua escrita”.
Pessoalmente, prefiro saber do trabalho mental do autor, daquilo que o levou a escrever determinado livro, daquilo que ele acha mais importante na escrita. Mas o escritor é uma pessoa com as suas simpatias e antipatias, o seu lado pessoal têm importância, e uma entrevista bem conduzida mostrará as duas faces do autor.
O papel do entrevistador é primordial. A sua primeira pergunta dará o tom da entrevista, as seguintes farão desta uma conversa.
De entre as entrevistas recolhidas no livro que mencionei, houve duas que me interessaram particularmente, por se tratar da conversa com autores de livros que li e admirei.
A primeira era feita por Bernard Pivot a Robert Sabatier, autor de “Les Allumettes Suedoises”, a história simples de uma criança nascida e criada em Montmartre, livro que foi em França um sucesso enorme e totalmente inesperado,
A segunda entrevista, conduzida por Pierre Boncenne, era com Alexandre Zinoview, e tratava do seu “Hauteurs béantes”. Um contraste absoluto. A vida de uma criança de Montmartre, a vida de um intelectual na Rússia soviética. Um livro fácil, e um livro extremamente difícil. A entrevista a Pierre Sabatier estava a calhar para alguém com a sensibilidade de Bernard Pivot, a entrevista a Alexandre Zinoview exigia um entrevistador que estivesse intelectualmente à altura de um autor que era então professor de lógica na Universidade de Munique. A leitura dessas duas entrevistas confirmou a minha opinião de que a qualidade e o interesse da entrevista literária depende em grande parte do entrevistador.


De cartas à minha filha
22 de Maio 2002
Ligando ontem para o Canal 2 fui a tempo de ouvir no ACONTECE de Carlos Pinto Coelho a entrevista dele ao Mega Ferreira, que acaba de publicar uma novela com o originalíssimo título de “Amor”. Carlos Pinto Coelho começou por fazer uma pequena consideração sobre a pessoa do autor e a obra que acabara de publicar. E o que é que estes espantados ouvidos ouviram? Ouviram como, entre os encómios ao escritor, se falou na sua grande cultura, a qual se provava, entre outras coisas, pelas citações que ele fazia e os livros que mencionava na novela que se analisava, entre eles, e cito: "o Alexandria Quartett do Durell”. Virado para nós, público, Carlos Pinto Coelho tinha, ao dizer isto, a expressão de quem nos convidava a partilhar com ele da admiração e respeito por alguém que lera o Alexandria Quartett. O que é que me diz a isto? Repito: o que é que me diz a isto? Não sei há quantos anos li a referida obra, creio que também a leu, e nenhuma de nós jamais pensou que esse facto fosse qualquer coisa de admirável. Parece-me que nos nossos meios da alta intelectualidade reina agora a admiração pelos escritores que leram livros estrangeiros e os citam...........”

7 de Julho 2002
“Percorrendo as novidades literárias portuguesas, abri o novo livro de um autor chamado Possidónio Cachapa, que se intitula “O Mar por cima”. E a primeira coisa com que deparo ao abrir o livro, e não estou a exagerar, a primeira coisa com que deparei foi com a inevitável descrição dos protagonistas na cama,............ O livro terá com certeza sucesso. Basta ver que já veio no DN a inevitável entrevista da Maria Teresa Horta ao referido autor. Eis algumas das perguntas que ela lhe fez: “Porque é que este seu livro é tão arrogante? Escrever, para si é um desafio? No seu romance o sítio de onde se parte é o sítio onde se chega?” As respostas do autor entrevistado estiveram à altura: “Eu deixo-me ir um pouco na crista da onda, para usar expressões marítimas que têm a ver com este livro. É como se cavalgasse no lombo da ferocidade.” E outra “O meu espaço é em espiral, como se eu estivesse concentrado na energia do percurso”. Não sei que mais lhe diga. Sei que me apetece berrar quando oiço estas perguntas e estas respostas.
PS. A minha editora pretendeu a dada altura que Maria Teresa Horta me entrevistasse. A entrevistadora espondeu que: só se eu fosse a sua casa. Declinei a honra”

27 de Outubro 2005
“Ontem, pelas oito e meia, ouvi uma entrevista espantosa no canal francês Telé 5 . A entrevistada era Benoite Groult, escritora feminista da qual nada li, mas cujo nome conheço. Tem 85 anos, mas parece 65. Estamos tão habituadas a esta nova moda, que é a entrevista televisiva, que nem realizamos que é extraordinário que haja pessoas que de boa vontade se coloquem diante de uma outra pessoa, e que por ela se deixem entrevistar, ou seja, se deixem interrogar sobre a sua vida e a sua personalidade. ....... Pois esta escritora, muito bem vestida, de calças e blazer, com os beiços de quem fez um lifting - como ela confessou que fez - mas nada ridícula, respondeu e fez considerações sobre as coisas mais íntimas da sua vida, com uma sinceridade admirável - ou incomodativa - como se isso fosse sua obrigação. Quanto ao ‘le sexe’, tema nº 1 da actualidade, até a entrevistadora, que já deve ter ouvido algumas, mostrou um certo espanto quando a jovem octogenária declarou que não sofria de ciúmes, e que até gostara muito quando seu marido Paul tinha ‘fait l’amour’ com uma senhora que tinham encontrado numa das suas viagens. Não sei se a dita também era octogenária, mas não eram muito novos nem ela nem o Paul, pelos detalhes em que se entrou. É verdade, ela anda de ski e vai pescar ‘la crevette’ . Como lhe digo, fez-me pensar nesta coisa curiosa que é “a entrevista”. Que um escritor não se importe, e até goste, de ser interrogado sobre a sua escrita e até sobre aquilo que o conduziu a ela, é compreensível, e na minha modesta maneira, já o fiz. Mas que isso nos obrigue a declarar tudo que somos e tudo que sentimos não entra na minha cabeça. De resto, foi agradável ouvir um bonito francês e frases claras e correctas.”

1 de Fevereiro 2006 quarta-feira)
“À terça-feira é dia em que - à hora das noticias - passa (no canal de não sei que número) um programa sobre leitura conduzido pelo Francisco José Viegas.
Ontem era entrevistado o José Rodrigues dos Santos, locutor do primeiro canal, mas, zapando para o dito canal, via-se o mesmo a ler as noticias. Do que podemos concluir que aqueles programas de leitura são pré fabricados, e que é uma treta quando o Francisco José Viegas debita no final um estribilho dizendo que “estivemos a falar de livros enquanto outros estão a ver novelas”. Não estava ninguém a ver novelas, porque não era hora delas, e eles também não estavam ali naquele momento a falar de livros, tinham estado
A entrevista era sobre o livro do nosso conhecido locutor, livro que já vendeu mais de 45.000 exemplares (que inveja!) , que se chama CODEX Nr. Tal, e que trata da descoberta da identidade do Cristóvão Colombo. Querem por força que o homem tivesse sido português e, segundo consegui perceber, no CODEX Nr. Tal há um investigador que descobre que ele era, não só português como judeu. Até aí tudo bem, num romance histórico podem-se idear identificações, o que já é menos bem é a entrevista ter sido conduzida como se o autor tivesse de facto chegado a conclusões historicamente certas. As perguntas eram feitas nesse sentido, e como não há ninguém mais corajoso - ou mais ingénuo - nas suas declarações do que o ignorante, o José Rodrigues dos Santos falava como se tivesse de facto descoberto a verdade sobre o caso. A meu ver, a culpa não foi dele, a culpa foi do entrevistador. Ele é sempre muito simpático com os seus convidados, o que – até certo ponto - está certo, mas neste caso nunca devia ter deixado a conversa fugir ao facto de se tratar de um livro de ficção, e das opiniões do autor serem puramente de ficção. Em vez disso, o entrevistador apoiava com a cabeça quando o José Rodrigues dos Santos fazia uma das suas afirmações históricas, e no fim entrou-se no surreal quando o autor fala num duque de Faro, coisa que nunca existiu, e quando os dois pareciam querer ligar o caso entre o duque de Bragança e D.João II, e a morte daquele, ao assunto em questão.
Ora Francisco José Viegas não é obrigado a ter conhecimentos profundos sobre o caso Colombo, mas devia ter estudado um pouco a coisa antes da entrevista. O que não seria difícil, porque, quando há anos se publicou um livro do Álvaro Barreto sobre o caso Colombo, as afirmações deste livro foram refutadas em quatro magníficas pequenas obras, uma da autoria de Vasco Graça Moura, outra de Alfredo Pinheiro Marques, outra do Luís Abrantes. Todas óptimas. Apoiado no conhecimento do que fora dito por especialistas, a entrevista teria tido outro valor e outro interesse.”

*Lire, écrire et en parler Dix années de littérature mondiale en 55 interviews publiés dans Lire Éditions Robert Lafont. 1985

Observações à margem
Os Livros de Afonso de Torres.
Se algum leitor desse texto quiser ajudar a decifrar o seu inventário,aqui vai uma pergunta. O que será nr..51 – A contersia de Justiça Luso 60 rs?

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de bibliotecas

>> segunda-feira, 26 de janeiro de 2009


De bibliotecas
22. Os livros de Afonso de Torres

Talvez exista algum catálogo da biblioteca de português quinhentista ou seiscentista, mas se há não o conheço Para poder falar da biblioteca de um leitor seiscentista português recorro por isso a um documento intitulado: “Inventario dos bens que ficaram por morte do senhor Affonso de Torres Telles.............os quais foram avaliados por Pedro Lingues, juiz do ofício de livreiro”-
Ou seja, para efeito de partilhas, os livros que haviam sido do falecido Afonso de Torres, tinham sido inventariados e avaliados por Pedro Lingues, livreiro. Afonso de Torres era cabeça do morgado dos Torres, teve uma vida de aventuras e acabou os dias em Montemor, escrevendo uma obra de genealogia, que deixou ao morgado.
Os seus livros ficaram à filha mais velha, e por ela teve-os seu marido Francisco de Melo Torres. Este, um dos conjurados de 1640, que viria a ser o 1º conde da Ponte e Marquês de Sande, deixou nas ultimas páginas de um dos seus códices a anotação de algumas obras emprestadas nos anos de 1648/49 a amigos seus. Ao escrever a sua biografia – “A Vida do Marquês de Sande” - eu parti do princípio, que se tratava de aquisições do próprio Francisco de Melo, mas pude entretanto constatar, que parte dos livros que Melo anotara naquela ocasião, vinham da biblioteca que fora de seu sogro, Afonso de Torres.
A respeito desta anotação, e o que dela se podia concluir - para além do facto de Melo ter o mau hábito de emprestar livros - escrevi na dita biografia o seguinte : “Estava-se em 1649, em Inglaterra dera-se a revolução que levara Carlos I à morte. Aceitando a ideia que os problemas históricos do passado interessam os homens sobretudo pelo que iluminam dos problemas do seu próprio tempo, e cientes que os homens de Seiscentos ainda eram humanistas no sentido de procurarem a chave de todos os seus problemas nas obras dos antigos, é certamente significativo encontrar entre os mencionados livros emprestados por Melo, e portanto discutidos por ele e seus amigos, a "Republica" de Cícero, na qual um grupo de amigos discute as condições da vida política, a maneira de uma nação ser grande e forte, as causas da grandeza e prosperidade romana e os meios de atacar a sua decadência, e a "Pharsala" de Lucanio, poema épico de fundo filosófico, que canta a guerra civil e a luta entre Pompónio e César.” Lá está também a "Conservação da Monarquia", estudo de Pedro Fernandes Navarrete sobre os males de que enfermava a monarquia, e a maneira de os remediar. Através destes livros emprestados visualizam-se os leitores de então procurando o que teria levado à queda da monarquia em Inglaterra, ou ainda uma explicação àquilo de que sofria a sua própria pátria".
Tivesse eu lido a lista dos livros de Afonso de Torres, e saberia que já nos seus dias se discutiam as ideias que iriam ocupar os homens da Restauração. Mas a essa conclusão só cheguei agora, quando fiz o que então devia ter feito, ou seja estudar o inventário dos livros de Afonso de Torres. A verdade é que durante anos fugi de um documento, no qual se está praticamente face a uma adivinha, ou antes uma série de adivinhas, já que o avaliador dos livros tanto dá deles aquilo que se afigura ser um título, como aquilo que talvez seja o nome do autor, e que cada título, cada nome de autor pode estar, e em geral está, deturpado. O livreiro, que sabia do que falava, não se dava ao trabalho de especificar correctamente a obra, e menos em soletrar algum título mais difícil. Dizia um nome, ou um título, que para ele definiam perfeitamente de que obra se tratava, e indicava o valor em que a avaliava. O valor é que interessava. O escrivão que nada devia saber de livros, escrevia o que lhe parecia ter ouvido. Dessa forma surgem designações como esta: “Viagem Dermundo de sevalhos”.
Paulo Achmann, amigo bibliófilo, a quem pedi ajuda, e eu, procurámos cada um a seu modo, decifrar o que se escondia por detrás daquele dermundo.
Paulo foi por: ‘sevalhos’. “Chegar lá, escreve ele “não foi tão fácil como parece, porque sem o "Ordóñez" recusava-se a aparecer”
Eu preferi procurar por: ‘viagens em torno do mundo (dermundo)’ e, depois de aliciantes propostas de viagens de luxo em volta do mundo, também cheguei a bom porto. O livro é:
“Historia y viage del mundo del clerigo agradecido don Pedro Ordoñes de Zevallos … a las cinco partes de Europa, Asia, Africa, America y Magalanice. Contem 3 libros Vasconso, José ed. Juan Garcia imp. Madrid 1614
Pedro Ordoñes de Zevallos (1517 -1627), era natural de Jaen, fora soldado, corsário e mas tarde padre, passou, segundo afirma, 35 anos de sua vida viajando. “Nos dejo a sua vez libros cargados de aventuras, aunque principalmente dedicados as Americas”, escreve o autor da notícia.
O livro, e possivelmente o próprio autor, diriam alguma coisa a Afonso de Torres, já que os Torres eram de origem espanhola, gente que se instalara em Portugal depois da tomada de Granada, e era, tal como Pedro de Zevallos, oriunda de Jaen. Afonso de Torres também levara uma vida de aventuras, devia sentir afinidades com Zevallos. Talvez que o facto do livro ser o primeiro mencionado queira dizer qualquer coisa, quem sabe se não se encontrava à mão quando o livreiro iniciou o inventário. É obra que deve ter tido várias reedições, a estampa que reproduzo é o frontispício da edição de 1691.
Sobre a ordenação dos livros, só podemos concluir que não seguiam qualquer ordem, já que as ‘Viagens del mundo’ são seguidas de um Virgílio, este das ‘cartas do Japão’, estas da ‘Vida de D.Teotónio duque de Bragança’, e este da curiosa e ainda não decifrada: “Primeira parte del par nosso de ouvidio” por 180 rs
Paulo Achmann declarou-se derrotado: “Primeira parte del pai nosso de Ouvidio? Que diabo (releve-me a incontrolável linguagem blasfema) é que o Ovídio tem a ver com o Pai Nosso ? Ainda tentei o português Santo Ovídio, mas revelou-se isento deste delito literário. E o velho Ovídio nem nas Metamorfoses, nem na Ars Amatoria rezava o Padre Nosso ...”
E que fazer com o “Reis de abran Porteleyo Piqueno”? perguntei-me eu. Será Abraham Ortelius?
E o que dizer da “Historia do Principe Polosisisue”?
Espantou-me também a presença de tantos livros italianos naquela lista, até que recordei que Afonso era filho de João Rodrigues de Torres, e que este fora estudante em Pádua. Ainda existe o documento comprovativo da licença que lhe foi dada pela Signoria de Veneza.
“A 14 de fevereiro de 1567, o doge Petrus Lauredanus concede a João Rodrigues de Torres, gentil-homem português, estudante em Pádua, licença de porte de armas e autorização de manter no território da ‘Signoria’ dois criados a seu serviço”. (Vida do Marquês de Sande pg. 23 e nota). O problema dos livros italianos que figuram na lista dos livros de Afonso de Torres estava resolvido, tinham entrado ali pela mão de um estudante português em Pádua.
Não me quero adiantar em outras conclusões, primeiro há que terminar a decifração. O que procurarei fazer a pouco e pouco. Só quando isso estiver feito, se poderá fazer – e tentarei fazer - uma apreciação das leituras de um leitor seiscentista português, e deduzir se possível os interesses proeminentes do homem culto desse tempo.
A Paulo Achmann, que decifrou os primeiros vinte e cinco livros, não queria pedir mais ajuda, e eis que ele me escreve dando conta de novas descobertas, o que prova que ainda não abandonou. E não serei eu que o convide a desistir. Exemplo da sua colaboração é este mail:
“Penso ter resolvido o enigma do "Porteleyo Pequeno". Um portulano, como confirmei com o dicionário, tanto podia ser o códice com as cartas náuticas, como cada uma delas individualmente (são aquelas orientadas pelo norte magnético, com várias rosas dos ventos, e rumos que se entrecruzam sobre o mapa). Ora um desses códices, por pequeno que fosse, não podia valer uns miseráveis 200 rs. Tratar-se-ia certamente de um só mapa ...
---Reis de abran ?? ... abran ??... será o velho Abraão Ortélio ?? ... deixa cá ver o que é que há dele na Biblioteca Nacional ... BINGO !!! :
Abraham Ortelius - "Regni hispaniae post omnium editiones locupleitissima descriptio" (várias edições do séc. XVI e princípio de XVII).
O nosso amigo Lingues (que suspeito se chamaria "Línguas", não de apelido, mas de alcunha, por falar tantas e tão bem ) , com a sua proverbial competência, traduziu Reinos por Reis, e toca a andar ...
Fico ancioso pelos seus elogios. Paulo”
Minha resposta:
“Eu tinha pensado em Ortelius, mas não encontrava ligação entre Reys e Ortelius.. Mil parabéns agradecidos. Já não esperava que continuasse nesta tarefa, mas já que ‘insiste’, não sou eu que o vou dissuadir.”
Participo-lhe a que resolvi mais algumas charades. Entre outras
Nr. 96 – Historia de Mariana 500 rs
Juan de Mariana 1536 – 1623 jesuita, teólogo e historiador espanhol
“Historia general de Espanha” 1601
Nr. 220 – Adevertencia Italiano 20 rs
Deve ser Pedro Mantuano “Advertencias a la Historia de Juan de Mariana” Milano 1611, 2º ed. 1613
Observação à margem
Caso algum leitor esteja interessado em colaborar na decifração, terei muito gosto em lhe mandar uma cópia do inventário

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Livros tambem se pomovem II

>> segunda-feira, 19 de janeiro de 2009



21. A Apresentação

A apresentação de livros por um apresentador é uma das mais recentes formas de divulgação da obra literária.
Quando ainda não se apresentavam livros apresentavam-se, por exemplo, as meninas de primeira sociedade ao soberano. Era um dia muito especial, a menina vestia traje que arruinava o orçamento da família para aquele ano, era conduzida ao Paço real, fazia uma vénia bem estudada aos soberanos: era-lhes ‘apresentada’. A monarquia acabou, houve outras apresentações. De artistas nos espectáculos de circo, por exemplo.. No Coliseu dos Recreios havia um senhor François e sua filha, mademoiselle François, que apresentavam os artistas. O palhaço rico, a malabrista, o ginasta entravam em cena, Monsieur François, vestido de casaca, indicava-os ao público com um gesto gracioso, às senhoras artistas pegava na mão, dizia-lhes o nome, umas palavra amáveis de apresentação, o senhor François era “apresentador” de artistas. Hoje apresentam-se livros, há os respectivos apresentadores. Dos quais o mais relevante é o professor Dr. Marcelo Rebelo de Sousa.
A razão pela qual o Professor precede, ou por vezes termina, as interessantíssimas análises políticas que faz aos domingos com uma apresentação de livros totalmente desporvida de interesse, é um mistério. E mistério também, a que critério obedece a escolha dessas obras. È pouco provável que o Professor percorra as livrarias para fazer a sua escolha, são decerto as editoras que lhe mandam as suas ultimas publicações, e será de entre estas que o Professor escolhe aquelas que irá “apresentar”. Que faz de forma simples. Pega, um por um, nos livros empilhados a seu lada, mostra-os ao público, diz de cada qual o título e o nome do autor, e acrescenta umas palavras elucidativas. Amáveis, em geral, e por vezes até entusiásticas. O professor “apresenta” livros.
Em tempos havia um programa no 2º canal em que Carlos Pinto Coelho entrevistava escritores e falava em seus livros. Por vezes também apresentava alguma obra de outro autor.
Eu tive a honra de ver livros meus apresentados pelos dois apresentadores.
A primeira vez foi em 2000. Em carta para a minha filha de 11 de Junho desse ano encontro a menção desse facto insólito: um livro meu, “Os Painéis.... Investigação? ou Adivinhação?” fora apresentado no programa de Carlos Pinto Coelho. “Já falámos várias vezes, escrevi eu então, para nos congratularmos de já lhes terem instalado telefone e para pasmarmos as duas pelo facto do meu livro ter aparecido no ACONTECE como Livro do Dia. Eu fiquei tão estupefacta que nem ouvi bem o que o Carlos Pinto Coelho disse.”
Os meus livros sobre os Painéis eram – e provavelmente ainda são - boicotados no Museu de Arte Antiga, onde a sua venda era proibida, e fiquei naturalmente grata a Carlos Pinto Coelho pela corajosa apresentação.
Seis anos após esse memorável acontecimento vi outro livro meu ser apresentado.
Um domingo de Fevereiro de 2006, nove e trinta da tarde, o professor Marcelo Rebelo de Sousa acaba de apresentar os livros da semana. O telefone toca em minha casa. Não me espanta. O Professor apresentou o meu livro no seu programa. Leu: “Na Rota da Pimenta”, acrescentou “ah, é de D.Manuel”, o telefone fatalmente iria tocar. Duas sobrinhas leitoras telefonaram, uma prima telefonou, de Itália falou-me a minha filha, um amigo participara-lhe de cá, que a mãe dela havia sido mencionada pelo Professor. Esperavam encontrar do outro lado uma tia, prima e mãe orgulhosa, toparam com uma autora pouco entusiasmada. “Falta de humildade, mãe” disse a minha filha. “Não sou futebolista, respondi, humildade é coisa do futebol”. O escritor nunca é humilde, mesmo que finja ser.
Fiquei a meditar sobre o papel dos média, e em particular da televisão, em matéria de livros. Pensei nos cinco anos que levara para contar quinze anos fundamentais dos descobrimentos portugueses, pensei na pesquisa séria das fontes, no esforço em redigir de forma a poder interessar mesmo o leitor menos culto. Será falta de humildade não me ter entusiasmado ao ver o meu livro ser mostrado, - apresentado – e ouvir uma voz, por sinal até de pouco entusiasmo, dizer: “ah é de D. Manuel”? É isso que conta, ser mencionada na televisão? Pergunta parva. É isso que conta. Na televisão fora apresentado um livro e ouvida esta frase “ah, é D.Manuel”, e o facto era tão importante que a autora da obra merecia ser felicitada e devia estar orgulhosa. Pelo que isso implicava quanto à qualidade do livro? Não, porque aquelas poucas palavras, ditas por quem as pronunciara, “promoviam” o livro, eram “comercialmente” importantes.
Comentei naturalmente o caso em carta para a minha filha.
13 de Fevereiro 2006, segunda-feira
“Ainda a apresentação do meu livro pelo Professor. Dá-me vontade de rir a repercussão familiar, mas não mudo de opinião. Foi decerto óptimo o livro ter sido mostrado, para que as pessoas saibam que existe. Até aí concordo que é óptimo, e estou muito grata ao professor. Mas deixe-me falar como autora. Uma escritora que escreveu um livro que é uma novidade no seu género, que sabe que há muitos anos não se publica um livro sobre os Descobrimentos, que sabe que o professor faz por vezes pequenas referencias aos livros que apresenta, essa autora - seja eu, ou fosse outra - não podia deixar de ficar desconsolada pela maneira como o livro foi tratado. Veio a seguir a um romance, e o comentário foi, “ah, este é história. È de D. Manuel. A Rota da Pimenta”. Assim escrito até talvez pareça óptimo, mas a mim a leitura pareceu-me tão desinteressada que me deixou gelada. Talvez eu tenha posto as minhas expectativas altas demais, mas foi o que sucedeu. Pobres autores, que querem sempre mais. No meu caso isso até nem se pode dizer, quando se trata dos meus romances, não tenho grandes aspirações, mas para este livro esperava de facto, ou nada, ou - caso se falasse dele - um pouco mais. .”
Terça-feira, 14 “Insistindo ao magno tema: o Professor sabe tudo de leis, de política, e de futebol, mas é menos sabedor em matéria de literatura, melhor, não tem à literatura o amor que tem ao futebol. É menos ‘profundo’ em literatura do que em futebol. ...... Se eu pudesse dar notas, dava ao Professor: ‘em futeboletura, dezanove, e em literatura, vá lá, catorze’

O que dizem outros
“De fácil compreensão, superficial, com aparência de profundidade, a televisão bate comercialmente todos os outros media. E mesmo o menos humilde dos autores sabe olhar ao lado comercial da questão. O fenómeno que em França foi Bernarda Pivot, deve-se à televisão. ...........”
O próprio Pivot explica-o em “Método de Pire”

Notas à margem
Domingo, dia 11 de Janeiro 2009
Entre as obras literárias apresentadas hoje pelo Prof. Marcelo Rebelo de Sousa estava um romance histórico que, tanto quanto sei, se passa em torno da batalha de Aljubarrota. A capa do livro é ilustrada com cena guerreira tirada de uma das tapeçarias, ditas de Pastorara (porque é lá que se guardam), que representam cenas das guerras de África no século XV. Aquelas tapeçarias, uma das grandes produções artísticas portuguesas no século XV, estão tão esquecidas (ou propositadamente ignoradas, como queiram ), que nem o autor do livro, nem o seu editor, nem o seu apresentador tiveram em conta a incongruidade de ilustrar a batalha de Aljubarrota, que se deu em 1385, com uma “vista” da tomada de Arzila, que se deu em 1471.

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De bibliotecas

>> segunda-feira, 12 de janeiro de 2009





20. A biblioteca de Hartmann Schedel
Os bibliófilos conhecem o nome de Hartmann Schedel pela sua “Crónica Nuerembergensis”, publicada pela primeira vez em 1493. O impressor foi Anton Koberger e os primeiros exemplares sairam a 14 de julho desse ano. Com as suas 1809 gravuras, é a obra mais ilustrada dos primórdios da impressão. Das gravuras têm especial valor as vistas de cidades, sobretudo de alemãs, mas também de algumas das mais importantes cidades da Europa. Entre elas há uma do Porto, talvez um pouco fantasiada, mas curiosa. Vê-se qualquer coisa, que parece grade ou rede atravessando o rio, como que a fechá-lo naquele local. É questão à parte, para especialistas em história do Porto. O que torna Hartmann Schedel atraente para o amador de livros, é a extraordinária biblioteca que ele constituiu, e a forma como o fez.
Cada biblioteca nasceu e cresceu da sua maneira, tanto as públicas como as privadas. É uma verdade de La Palisse, que não deixa de ser pertinente. As bibliotecas particulares são um espelho do seu criador ou da sua criadora, outra verdade conhecida . Que no passado não foram sempre as bibliotecas dos soberanos e dos príncipes as melhores e maiores, é que talvez nem todos saibam. O riquíssimo D. Manuel I, tinha à data da sua morte, em 1521, cerca de 49 livros. Os duques de Borgonha eram mais dados a livros, em 1467 possuíam uma biblioteca de 900 obras. Por esses anos a biblioteca de Hartmann Schedel, modesto médico de Nueremberga, tinha quase tantas.
Schedel herdou algumas obras, comprou muitas aos copistas e depois aos primeiros impressores, encomendou algumas obras em Itália, mas uma parte da sua biblioteca é constituída por livros que ele próprio copiou. Mesmo depois da invenção dessa arte, os livros impressos eram caros, e os impressores nem de longe conseguiam cobrir a procura dos amadores. Estes copiavam então - tal como aliás até ali o tinham feito - os livros que lhes interessavam. Na cidade de Augsburg (Augusta) havia um grupo de homens, que se reunia para escrever para seu próprio uso - provavelmente sob o ditado de um dos membros do grupo - os livros que os outros tinham, e eles não. Um primo de Hartmann Schedel pertencia a esse grupo, e forneceu-lhe algumas cópias de livros do seu grupo. As bibliotecas dos mosteiros eram ricas, os monges eram os grandes depositários da literatura latina e grega. O doutor Hartmann Schedel pedia licença aos abades para copiar, copiava. Livros de poetas e pensadores gregos e latinos, livros de medicina, de ciência, outros. Copiava.
.O médico tinha de ser astrólogo, da astrologia passava-se à astronomia. Em 1469, Hartmann Schedel inicia a cópia e a aquisição de tratados de astronomia e astrologia. No seu catálogo encontram-se umas trinta e cinco obras relacionadas com o assunto.
O tópico máximo da época era a terra como esfera, e a possibilidade da sua circum-navegação. Numa das margens do seu exemplar da "Ásia" de Eaneas Sylvius Picolomini (o futuro Papa Pio II), publicado em Veneza em 1477, Schedel escreveu a pergunta que ocupava toda a gente culta do tempo: "An terra circumnavigari posit?" "Poder-se-há circum-navegar a terra?"*
E que instrumentos se necessitariam para o efeito? Vários livros tratam desse apaixonante tema:
--Tractatis de astrolabio et -Spere solide et Turketum.
--Tractatus Spere cum figuris Euclidis;
--Astronomicon Iginii. Alcabicius cum commento. Abraham judeus de nativitatibus. Composicio astrolabii. Repertorium de mutatione aeris.
--Astrolabium Messahali cum figuris quadrans profacii judei, de Turketo. Chilindro etc.
--Descripio Astrolabii. Julius Firmicus. Astrologia Arati. Geometria Euclides per Boethium traducta .etc.
E por fim temos uma obra que Schedel regista como: “Astrolabium planum in tabulis. Algorismos. Computus. Tractatus de Spera Jo(annis) de Sacrobosco. Liber quadrantis. Astrolabium".
Trata-se sem dúvida do livro que veio a ser conhecido em Portugal por "REGIMENTO DO ESTROLÁBIO E DO QUADRANTE. TRACTADO DA SPERA DO MUNDO”, e com o registo desta obra na sua biblioteca, Hartman Schedel passa a ser um dos protagonistas do enigma histórico-literário que podemos designar por “Caso dos Guias Náuticos”.
O caso surgiu em 1865 quando um jornal de Évora publicou o texto da carta de um tal Jerónimo Muenzer, alemão, dirigira a D.João II no ano de 1493. Em 1883 o doutor Luciano Cordeiro dava a conhecer o livro onde vinha a dita carta. Ficou-se a saber que o referido livro - pertencente à biblioteca de Évora - continha, além da carta de Muenster, umas tábuas náuticas, um resumo do “Tratado da Esfera” de Sacrobosco e um “Regimento do Astrolábio e do Quadrante”, tudo em português.
Em 1890 um matemático alemão revelava a existência na Biblioteca Real de Munique de uma obra que parecia idêntica à de Évora. E, em 1914, o doutor Joaquim Bensaúde pegou no assunto e, comparando os dois livros, o de Évora e o de Munique constatou que tanto o exemplar de Évora como o de Munique continham a mesma tradução do “Tratado da Esfera” de Sacrobosco, e que em ambos os livros havia um “Regimento”, uma instrução para o uso do Astrolábio. A diferença era que o exemplar de Munique continha explicações minuciosas, nitidamente destinadas a navegadores novatos “da forma de calcular as latitudes pelo conhecimento da altura do sol” , e que a obra de Évora não continha essas informações, pelo que a última se destinava decerto a navegadores mais experientes. Os dois livros davam as latitudes de pontos já descobertos, mas enquanto o exemplar de Munique abrangia somente locais da costa africana atlântica até ao Equador, o de Évora abrangia já Java e as Molucas. O exemplar de Évora era portanto mais moderno que o de Munique, e era esse, o mais antigo , que devia ser estudado.
Foi o que o Dr. Joaquim Bensaúde fez, tendo publicado os seus estudos em várias obras. Seguiram-se estudos de outros investigadores, e, em 1998, entrei também eu para essa lista com um pequeno estudo sobre a possível proveniência e data do referido livro. Dá-se agora o caso de eu querer corrigir uma das afirmações que fiz no trabalho original - cujas conclusões não se modificam por isso - e acrescentar um novo dado, e lembrei-me de publicar essa versão revista e emendada na Net.
Não sei se haverá entre os possíveis leitores do meu ‘libri.librorum’ alguém que se interesse por um caso de investigação histórica e literária como o dos “Guias Náuticos”. É uma das incógnitas deste novo meio de comunicação. Mas basta haver um leitor interessado para já me considerar compensada. Decidi portanto divulgar aqui em PDF o dito estudo numa segunda ‘edição’.
Primeiro tenho de ver como isso se processa, pode demorar tempo. Avisarei logo que a coisa estiver feita.

*Stauber, Dr. Richard Die Schedelsche Bibliothek Herdersche Verlagsbuchhandlung 1908

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