Vamos a ver

>> terça-feira, 9 de março de 2010

Vamos a ver se consigo retomar a escrita do meu blogue. Já tenho o necessário instrumento: um computador com um programa para o meu caso de pouca visão de perto.
Passar para Windows, que tem esse programa, não é fácil para quem estava habituada ao Mac. Até por vezes desesperante. Pergunta: porquê então insistir? O meu blogue não é tão importante, que se dê pela falta dele. Assim é. Mas a verdade é que eu preciso de escrever. No meu particular caso, a escrita é uma das formas que descobri para compensar a leitura de livros. A esses só os que têm uma letra bem preta sobre papel bem branco é que, com ajuda de lupa, consigo ler .Mas as letras que vou formando ou que vou imprimindo, essas estão à medida da minha visão. Ao escrever, leio. E ai está! Vou publicar textos no meu blogue para ler.
Encontrei ainda outras formas de leitura. A memória. Sempre gostei de reler um livro que tinha apreciado. Agora estou a colher o fruto dessas releituras. Pego num livro, ou chamo-o à memória, e, como por encanto, lembro-me de frases, de passagens, que me trazem o livro de volta.
A audição. Sabia que existiam livros lidos, audi-books em inglês, mas nunca me interessaram. Fiz mal. Ouvir ler é um prazer e não falta escolha. Em duas.
Em português a escolha não é grande. Em alemão e inglês há de tudo. Desde os clássicos antigos aos modernos, desde a boa ficção recente, livros de humor, de poesia. Ensaios, história, filosofia, a escolha não acaba.
Em resumo: não leio da mesma forma, mas leio, e então porque não continuar com o blogue? É o que vou fazer. Porém não como de costume
às segundas mas antes às terças-feiras, dia em que tenho uma ajuda ainda muito necessária.
Até à próxima terça feira.

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Tem de ser

>> segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Chegou o momento de encara as coisas de frente. Tenho muita dificuldade em emendar os meus textos. perco tempo e acabo por fazer um texto mal feito. A solução seria acabar com o blogue, mas habituei-me a ele, tenho pena de o deixar. Além de que me dizem que a Mac tem um modelo ou programaque ajudará a quem está no ei caso. Não tenho hrande fé, mas veremos. Entretanto deixo o blogue em aberto e de vez em quando escrevo um pequemo texto, transcrevo alguma coisa de livro que tenha no compitador. A culps ´é do ratinho e do cursor que não querem nada comigo.

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Auti-critica

>> terça-feira, 5 de janeiro de 2010

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Isto de escrever sobre a nossa própria escrita depressa farta. Mas como não gosto de deixar as coisas a meio, vou acabar o que tão levianamente comecei.
Lembro-me ter escrito num texto anterior, que não pedia a opinião de ninguém sobre o que estava escrevendo. É verdade, mas houve uma excepção. Como todo o autor que se presa, também eu escrevi uma peça de teatro, e como tinha as minhas duvidas quanto à qualidade da obra, dei-a a ler ao Luís Stau Monteiro. Que foi franco: “o dialogo é muito bom, mas o enredo não tem interesse nenhum”. Aceitei a critica, rasguei a peça. É verdade que teria preferido a aprovação, mas não teria querido palavras lisonjeiras que me teriam iludido acerca das minhas capacidades. E sempre depois disso, quando pelos anos fora me veio a tentação de escrever a peça que arrebataria o público, sempre parei a tempo, porque me lembrei que o bom dialogo só por si não faz uma boa peça de teatro.
Foi uma critica construtiva, salutar, a do Luís Stau Monteiro, e em consequência dela passei a
ser rigorosa na auto-critica. . Penso que todo o escritor, seja ele grande ou pequeno, tem a sua opinião sobre a qualidade da sua escrita, e sobre aquilo para que está mais ou menos dotado. Parece-me que os meus livros têm personagens que se fixam, que os diálogos são naturais e as histórias têm algum interesse. Mas não são grandes histórias. Para isso seria preciso que eu fosse uma grande prosadora. O que não sou. Conheço os meus limites. O romance épico de mil páginas não é para mim, e o pequeno conto exige um talento muito especial que não tenho. Não me abalançaria a um romance policial, mas já ideei um crime e a sua solução e foi um desafio que me divertiu, e que não me importava de repetir. Nunca escrevi um livro para crianças, e é tarde para tentar a experiência. Do teatro desisti. Resta-me a conclusão que sou unicamente , uma contadora de histórias que escreve razoavelmente bem, mas não uma prosadora. “Escrita” é uma coisa,“prosa” é outra. São os grandes prosadores que escrevem os grandes livros, os grandes romances, os grandes ensaios. Já para escrever história, a boa escrita é – parece-me – preferível à grande prosa. Li de uma assentada (e mais do que uma vez) “L`Histoire des Girondins” de Lamartine, mas tive sempre a consciência que estava a ler uma grande obra de prosa e não a História dos deputados da Gironde. Mas não é de escrever historia que quero aqui falar. Isso é um capítulo à parte.
As vendas dos meus livros não atingem cifras astronómicas. Cada um deles teve entre 1500 e 2000 leitores. Como o número não varia muito, isso permite-me pensar que sejam sempre – mais ou menos - os mesmos leitores. Ou seja, que há por esse Portugal fora entre mil e quinhentas e duas mil simpáticas almas, que gostam dos meus livros. Não é que não achasse óptimo que fossem mais, mas consolo-me com a ideia que são poucos mas bons. E muito entendidos , já se vê. E, pensando bem, considerando que a minha visibilidade pública é nula, ter dois mil leitores não é nada mau.
Durante séculos, a visibilidade publica do autor não influenciava grandemente a sua carreira literária. O escritor ia-se revelando pouco a pouco. Nascia, crescia, aparecia. Agora sucede que o escritor já tenha aparecido antes de nascer. E esse neófito conhecido pode contar de imediato com uns milhares de leitores, entre curiosos, simpatizantes e interessados. É mesmo provável que em pouco tempo possa cantar, como Schiller na sua Ode à Alegria: “Abraço-vos, milhões”.
Pergunto-me por vezes se esses escritores é reconhecem que é em parte à sua visibilidade física que devem parte do seu sucesso intelectual.
Não podemos criticar ou menosprezar os autores mediáticos por se servirem do escadote da sua popularidade, mas lá que este novo género de autores confunde a cena literária, lá isso confunde.

Observações à margem
Agora que qualquer um de nós corre o risco de ser confrontado por um microfone e convidado a se pronunciar sobre os mais variados assutos, é bom saber que, para nos ajudar a ser fluentes, se usa agora muito a expressão “significativamente”. Aiém do nosso conhecido “digamos” e do muito útil “ no sentido de”.
Assim, se tiver de dizer, que o ministro da agricultura foi a Penedos ver os estragos causados pelas chuvas, poderá, com toda a vantagem, dizer: “o senhor ministro da agricultura deslocou-se a Penedos, no sentido de, digamos, verificar, se os danos causados pelas chuvas eram, digamos, significativos”.
Ps O ATRAZO FOI INVOLUNTÁRIO

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Para o Natal o livro certo

>> segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Gosto de dar livros pelo Natal. A pessoas que lêem. Não pretendo converter os não leitores. Dou livros a quatro pessoas,a duas sobrinhas, á minha filha e ao meu genro. Procuro o livro certo para cada um com grande antecedência. Não ando meses antes pelas livrarias, mas começo cedo a pensar no livro que calharia bem para cada um deles. A primeira escolha fiz muito cedo, em Agosto.
Passei uma manhã diante de uma pequena loja de alfarrabista e vi na montra uns daqueles livros de capa azul que eram os livros cor de rosa dos anos sessenta. Entrei, fiz conhecimento, conversei com o simpático dono da loja e comprei-lhe seis livros azuis. Muito contente com aquela aquisução, porque tinha ali o presente para uma das sobrinhas. Amadora de literatura portuguesa, fâ de Miguel Torga, oovira-lhe há tempos, que tinha curiosidade de reler os livros azuis que faziam as delicias da sua juventudo. Pois no Natal ali a teria a sua delicia.
Para a outra sobrinha, mais internacional nas leituras, e já saída daquela fase de leitura exclusiva de ficção, quando não se acredita que haja outra, para ela escolhi dois “livros sobre livros” de Ann Fasdiman. Comentários sobre livros, sobre autores. Devem ser mulheres da mesma idade, Ann Fadiman e esta minha sobrinha. Devem entender-se.
Para o meu genro decidira há meses que lhes daria um livro sobre a cnstrução do “Great Transcontinental Railway”, o comboio construído em fins do século XIX, que ligou a costa atlântica dos Estados Unidos á costa do Pacifico. Lembrei-me disso quando este ano copiei para o meu blogue as impressões de uma tia que fizera a viagem nesse comboio. Há sempre a tendência de pensar que o que nos interessa a nós , interesserá a outros, mas neste caso julguei ter razão para pensar que o meu interesse seria partilhado.
Para a minha filha, que recebe sempre mais do que um livro, a escolha é sempre um pouco difícil. Partilhamos alguns gostos literários, o que em princípio devia facilitar as coisas. Mas também as pode complicar. Já sucedeu dar-mos uma à outra o mesmo livro. E como a Isabel vive em Itália não estou a par do que ela possa ter comprado em matéria de livros. Pergintei-me se ela já teria o “Madame u Deffand et son temps# de Benedetta Cravieri. Era muito posivel, já que era o livro que essa autora publicara depois do seu “L’Áge de la Conversation” de que ambas tínhamos gostado tanto. Era aliás leitura lógica, mas se o tivesse lido decerto me teria falado nele. Arrisquei portanto Madame du Deffand. Dentro do mesmo espírito juntei-lhe “ Le Monde des Salons. Socialité et Mondanité à Paris au XVIII siècle” de Antoine Liltri. O livro foi publicado quando se realizou em Paris uma exposição sobre os salões literários. Bem sei que por cá só nos devemos interessar pelo que sucede em Nova York, Los Angeles e Washington. Mas a minha filha e eu somos muito europeias e até - oh espanto! – lemos francês, e ambas sabemos da importância cultural que tiveram os salões literários.
Foi nos salões do século XVIII que se debateram as ideias que conduziriam à revolução de 1789. E é curioso pensar que o bom francês em que essas ideias se escreveram, discutiram e sobre as quais depois se eloquentemente se discursaria, deviam a sua grande força à corecção do francês em que eram escritas e pronunciadas, e que isso o deviam aqueles senhores a um grupo de mulheres da primeira nobreza, que no século anterior tinham pugnado nos seus salões pela pureza da língua francesa. Forjando a arma que conduziria os seus descendentes à guilhotina.
Completei estes dois livros com romance histórico de Ken Follet.
O Natal já passou, os livros foram dados e recebidos com aprovação e, no caso do saco doirado cheios de romances azuis, com gritos de entusiasmo. Eu tinha escolhido os livros certos.

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Sobre este blogue

Libri.librorum pretende ser um blogue de leitura e de escrita, de leitores e escritores. Um blogue de temas literários, não de crítica literaria. De uma leitora e escritora

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