Também isto é Europa

>> segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Estávamos sentadas à mesa da cozinha a cortar peras para compota.
Ela é russa, e vem de vez em quando substituir uma amiga ucraniana, que trabalha para mim -
Foi casada com um búlgaro, e agora namora um português. Eu sou filha de uma portuguesa e um alemão, o meu marido era português e a minha filha é casada com um italiano.
Falámos de instrução. - A minha mãe foi ensinada pela minha avó – disse ela.
-Porquê? - perguntei,
-Sabe o que é Gulag ?
-Sei, tive lá um primo - respondi.
- Nos da Sibéria?
- Sim - respondi.
-Um português, perguntou ela, espantada.
-Não. Um alemão
-Ah, E voltou?
-Depois de dez anos apareceu.
-O meu avô não voltou - disse ela - Era professor. A minha avó esperou, esperou, mas ele não voltou. Como ela tinha o marido no Gulag, a filha não podia ir à escola e foi a minha avó que a ensinou. Foi uma grande mulher, a minha avó.
Tive um irmão na frente leste. Tive primos do lado alemão que lá ficaram. Mas aquele que esteve no Gulag, não era meu parente pelo lado paterno. Descendia de uma prima da minha avó que casara com um alemão-nunca esqueceu a sua longínqua ascendência portuguesa.
Entre milhões de outros houve também um prisioneiro de sangue português em um dos campos do Gulag.
Também isto é Europa

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Artigos de jornal. Curtos, por favor.

>> quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Quando constatei que o catálogo da Exposição das tapeçarias de Pastrana, publicado pelo MNAA era uma mina de desinformação escrevi um artigo que enviei ao jornal Expresso com pedido de publicação.
Sempre critiquei artigos de jornal demasiado longos e fiz aquilo que sempre criticara. Tempos depois recebo um mail do jornal. Que abreviasse aquilo para 35000 caracteres se queria ter uma possibilidade de publicação.
Pareceu-me impossível, mas tentei. Enviei uma primeira versão de 35000 mil e alguns caracteres.
Novo mail. Ainda era grande demais. Tinha de contar caracteres e espaços. Emagreci o pobre artigo para os requeridos caracteres.
Foi aceite. E sabem uma coisa? O artigo ficou muito melhor. Aprendi. Nunca se é demasiado velho para aprender.

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Tapeçarias de Pastrana 4

>> segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mandante, mandatário, ou quê?
Em artigo que escrevi sobre o catálogo da Exposição das Tapeçarias de Pastrana, escrevi que para poder estudar as tapeçarias, era importante conhecer quem fora o seu “mandatário”, ou seja, quem fora o homem que ideara a obra, que escolhera artista, que a executaria, que lhe dera instruções sobre o que desejava ver representado, e de que forma. Designei esse homem por “mandatário”, e sei hoje que a palavra mandatário tem outro sentido, que é errada no contexto em que a empreguei. Preciso da palavra certa. Se é que existe. Agradeço sugestões.

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Tapeçarias de Pastrana 3

>> terça-feira, 17 de agosto de 2010

Durante anos devo ter sido a única pessoa em Portugal a ter no seu computador uma pasta dedicada às tapeçarias que hoje se admiram no MNAA. Agora os interessados são muitos e alguns de renome, mas o meu interesse não diminuiu. Creio já ter escrito, que, em matéria de textos, o catálogo da Exposição pouco satisfaz a quem da investigação histórica exige um pouco mais do que afirmações sem provas, e textos floreados que não querem dizer nada. O catálogo, excelente na sua parte gráfica, é, na parte escrita, de uma superficialidade verdadeiramente indigna de um grande Museu. Se já o disse e o repito, é porque deve ser dito e redito. Não se trata aliás só de ‘superficialidade’, que essa não pretende enganar. É únicamente resultado de mandrieira.
Tive ocasião de falar em pessoa com o director dos estudos da fundação Calos de Amberes, que há dias esteve em Portugal. Foi uma conversa esclarecedora. De uma coisa fiquei certa, é que por maior que seja o estudo que a Fundação vai dedicar, e já está dedicando, ao estudo de todos os aspectos das Tapeçarias, que muito ainda pode ser procurado e examinado da parte de Portugal. Não lhe escondi, e ele aceitou, rindo, que iria fazer pesquisas concorrentes com as do Instituto. Ele já sabia a minha opinião sobre quem tenha sido o mais provável mandatário daquela grande obra, e creio que não vai deixar de a examinar. Lembrei-lhe a esse propósito, que :
No caso de se concluir – ou de se partir, tentativamente do princípio - que o mandatário das Tapeçarias foi o então duque de Guimarães e futuro 3º duque de Bragança, então as Tapeçarias devem ser “lidas’ segundo o relato dos acontecimentos de autor favorável ao duque. Sucede que o autor transcrito no catálogo não menciona a pessoa de um homem que teve parte tão activa nos acontecimentos como foi o caso de D. Fernando. Espantou-me essa omissão, até que verifiquei que os extractos citados eram da autoria de Damião de Góis, o qual, segundo D. António Caetano de Sousa, era pouco favorável ao duque.
Repito, se o Duque foi o mandatário das Tapeçarias, ele daria as suas instruções ao autor dos cartões sobre os quais se iria edificar a obra, e nessas instruções estaria naturalmente o seu ponto de vista dos acontecimentos que as tapeçarias deviam fixar.
Formei um grupo de trabalho para o estudo português das Tapeçarias. Por enquanto tem na minha modesta pessoa, coadjuvado por uma auxiliar, o seu único membro. É pouco. Talvez que das brumas da blogolândia surjam outros interessados em heráldica, nas armas, nas missões que queiram fazer parte deste grupo de trabalho.

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Sobre este blogue

Libri.librorum pretende ser um blogue de leitura e de escrita, de leitores e escritores. Um blogue de temas literários, não de crítica literaria. De uma leitora e escritora

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