Itálico

>> segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Devido a problemas de visão uso para apontamentos a escrita do escriba medieval: alinho letras maiúsculas bem separadas. Há dias escrevendo um pouco mais depressa, inclinei as letras e, automaticamente, liguei-as. Foi isso que há meio milénio sucedeu a um escriba da corte papal chamado Luigi Arrighi. Realizou que tinha descoberto uma forma de escrever com mais fluência e revelou essa sua descoberta num pequeno livro intitulado “La Operina”. O editor veneziano Aldo Manuzio adotou essa forma de escrever nas suas edições de obras latinas e chamou a essa escrita ‘itálica’. As enciclopédias esqueceram Luigi Arrighi, itálico é atribuído a Aldo Manuzio. Eu quero recordar Luigi Arrighi.

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Maria Teresa Horta e o Prémio

>> segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Maria Teresa Horta é uma autora feminista de esquerda, a quem os eleitores literários que por cá substituíram os críticos já reservaram uma cadeirinha no Parnasso. Recentemente a autora recebeu o prémio D. Dinis pelo seu poema em honra da marquesa de Alorna. Sucede que esse prémio deve ser apresentado pelo Primeiro Ministro em função. Maria Teresa Horta não gosta do presente Primeiro Ministro, não quer receber o prémio de suas mãos. Rejeita então, em nobre revolta, o dito prémio? De maneira nenhuma, quer prémio mas outro presenteador. Aceitá-lo-ia das mãos da Drª Assunção Esteves, sente que esta senhora tem qualquer coisa de feminista. Do Presidente da República também se inclina a aceitar. O homem ocupa posição oficial. Sugere ainda outra figura possível. Dado que se trata de figuras com ligações institucionais ao rejeitado doador, estas figuras, por mais vontade que tenham de agradar a Maria Teresa Horta, terão dificuldade em aceitar a honra de lhe dar o prémio em mãos. Receio que a poetisa tenha de esperar por mudança de governo.

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Aprender

>> segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Adriano Moreira fez noventa anos, e o prof. Marcelo Rebelo de Sousa comentava no Domingo, com admiração, o facto de Adriano Moreira, apesar dos seus noventa anos, se interessar por coisas novas, de ele ainda gostar de aprender. Nesta matéria sei mais que o Professor, posso esclarecê-lo. Esta coisa espantosa que se chama cérebro humano é feita para acumular saber. Fá-lo ao longo dos anos, quer o dono do cérebro o queira ou não. Não para aos noventa anos, sou disso testemunha, já que poucos meses me separam de Adriano Moreira. Não aprendemos para fins de ordem utilitária. Não aprendemos com qualquer fim em vista. Aprendemos porque sim. Enquanto o nosso cérebro trabalha, aprendemos e gostamos de saber.

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Bilhete Postal Ibérico

>> segunda-feira, 16 de julho de 2012

Não sou filatelista, mas não seria compreensível, se, depois de ter lido, copiado, e organizado uma enorme coleção de cartas do século XIX, eu não tivesse notado alguma particularidade na evolução do envio nesse século de cartas e bilhetes pelo correio. Os primeiros selos portugueses são de 1853, mas notei que mesmo depois da sua existência, nem todas as cartas levavam selo, que muitas continuavam a ser franqueadas com um selo estampado, uma ‘estampilha’. A carta ainda não se colocava em envelope; era dobrada de forma a se poder fechar sobre si, e, num rectângulo da página exterior, escrevia-se nome e morada do destinatário. O correio estampilhava a carta nesse ‘sobrescrito’. Faltava pagar. Não sei bem como a coisa funcionava, mas sei que o porte podia ser pago pelo destinatário. Tenho a certeza que as cartas de 9 e 10 páginas, que as irmãs de D. Maria Joaquina Saldanha da Gama lhe escreviam para a Madeira não eram pagas pelas autoras das cartas, mas pela sua destinatária. Talvez essas cartas fossem marcadas de distinta maneira. Não sei, e de presente não me vou dar ao trabalho de aprofundar a questão. Do que quero falar é de dois postais, que me apareceram, e que me espantam. O ‘Bilhete Postal’ nasceu em meados do século XIX. Um professor vienense sugeriu em artigo de jornal a criação de um meio de enviar pequenas mensagens, dispensando a carta, talvez um cartão, com espaço para endereço e mensagem. Alemães e ingleses gostaram da ideia, e executaram-na, discutindo ainda hoje quem fora o primeiro. É coisa corrente entre aqueles primos. O facto é, que a ideia pegou. Para comunicarem um ao outro uma pequena notícia, o correspondente do século XIX não precisava de carta, passava a ter um ‘bilhete postal’. Portugal gosta de ponderar bem os prós e contras das grandes questões, e faz muito bem. Levou-se portanto algum tempo a introduzir aquela novidade. Assim, quando em Junho de 1878, a condessa de Rio Maior se prepara para uma viagem que a levaria a Paris, ela compra postais para mandar frequentes notícias às amigas. Não sabia ainda como a coisa funcionava e que não se podia deitar o postal português em qualquer estação espanhola. Que este tinha de levar estampilha espanhola. “A Maria ia munida de postais para escrever nas estações”, lemos numa carta, “dispunha-se a mandá-los de Espanha. Acho que não se capacitou com o que a tia lhe disse, que os nossos bilhetes não podem lá servir por causa da estampilha”. Sem estampilha a coisa não ia. Mesmo quando o postal – e aqui é que nasce o meu espanto – mesmo quando num postal de 1905 se podem ler, em elegante banda verde, as palavras: ”Portugal e Espanha”. E um selo de D. Carlos. Provavelmente toda gente instruída sabe que assim era, e tem a respectiva explicação à mão de semear. Eu não sabia, continuo a não saber, não tenho explicação e acho curioso.

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Libri.librorum pretende ser um blogue de leitura e de escrita, de leitores e escritores. Um blogue de temas literários, não de crítica literaria. De uma leitora e escritora

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