Germânico; Anglo Saxónicos

>> segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Quando das Olimpíadas ouvi um comentador desportivo português tratar desportistas alemães de ‘Germânicos’. O comentador pensava decerto estar a traduzir o inglês ‘german’. Para isso devia ter dito ‘germanos’. Germânico é germanic em inglês e refere-se ao conjunto dos povos de origem germânica, alemães, ingleses, holandeses, dinamarqueses, luxemburgueses, franceses, flamengos etc… Pouco depois ouvi um comentador de economia, tratar de ‘particularmente anglo-saxónica’, certa atitude económica inglesa, contrastando-a com a correspondente atitude continental, ou seja alemã. Não sei se estava consciente que anglo-saxónicos e alemães têm as mesmas raízes, são ambos germânicos. Creio que a coisa merece uma tentativa de explicação. Quando, nas brumas do longínquo passado, por razões de clima ou de curiosidade, alguns povos das planícies a norte do Himalaia abandonaram as suas terras e se dirigiram para leste, ocupando gradualmente uma península que viria a ser conhecida por Europa, alguns, vindo primeiro, espalharam-se ao sul, ao longo das férteis margens do Mediterrâneo. Muito mais tarde, crê-se que penetrando do Norte, vieram outros habitantes das encostas do Himalaia. Ocuparam as terras a norte dos Alpes. Eram na sua maioria ‘Ger-Mannen’, homens que caçavam e lutavam com o ‘Ger’, o dardo. Eram ‘germanos’. Individualistas, formaram inúmeras tribos: Francos, Saxões, Bajuvaros, Godos, Teutonos, Alemanos, Suabos, e muitos outros. Um general romano que venceu uma dessas tribos de germanos a sul do Danúbio, tomou para si o sobrenome de ‘Germanicus’, vencedor de germanos. Gradualmente as diferentes tribos germânicas foram se fixando no espaço a norte dos Alpes. A tribo dos Anglos, residente nas costas do mar ‘germânico’, decidiu atravessar o mar em procura da grande ilha que sabiam aí existir. Acompanharam-na membros da grande tribo dos Saxões. Foram os ‘anglo-saxões’. Aos primos que ficaram no Continente trataram de ‘germans’. Estes ‘germans’ não se tratam a si por Germanen, tratam-se por ‘Deutsche’, de ‘Teutonen’. Adoptaram para a generalidade das tribos do seu espaço o nome de uma tribo vencida no sul da actual França por outro general romano. Vendo os seus homens feitos prisioneiros as mulheres teutónicas suicidaram-se com os seus filhos. Em sua memória o império de Carlos Magno designou-se por ‘Sacro Império Romano de nação teutónica’. Muito falta por dizer, fica para outra vez.

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Itálico

>> segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Devido a problemas de visão uso para apontamentos a escrita do escriba medieval: alinho letras maiúsculas bem separadas. Há dias escrevendo um pouco mais depressa, inclinei as letras e, automaticamente, liguei-as. Foi isso que há meio milénio sucedeu a um escriba da corte papal chamado Luigi Arrighi. Realizou que tinha descoberto uma forma de escrever com mais fluência e revelou essa sua descoberta num pequeno livro intitulado “La Operina”. O editor veneziano Aldo Manuzio adotou essa forma de escrever nas suas edições de obras latinas e chamou a essa escrita ‘itálica’. As enciclopédias esqueceram Luigi Arrighi, itálico é atribuído a Aldo Manuzio. Eu quero recordar Luigi Arrighi.

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Maria Teresa Horta e o Prémio

>> segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Maria Teresa Horta é uma autora feminista de esquerda, a quem os eleitores literários que por cá substituíram os críticos já reservaram uma cadeirinha no Parnasso. Recentemente a autora recebeu o prémio D. Dinis pelo seu poema em honra da marquesa de Alorna. Sucede que esse prémio deve ser apresentado pelo Primeiro Ministro em função. Maria Teresa Horta não gosta do presente Primeiro Ministro, não quer receber o prémio de suas mãos. Rejeita então, em nobre revolta, o dito prémio? De maneira nenhuma, quer prémio mas outro presenteador. Aceitá-lo-ia das mãos da Drª Assunção Esteves, sente que esta senhora tem qualquer coisa de feminista. Do Presidente da República também se inclina a aceitar. O homem ocupa posição oficial. Sugere ainda outra figura possível. Dado que se trata de figuras com ligações institucionais ao rejeitado doador, estas figuras, por mais vontade que tenham de agradar a Maria Teresa Horta, terão dificuldade em aceitar a honra de lhe dar o prémio em mãos. Receio que a poetisa tenha de esperar por mudança de governo.

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Aprender

>> segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Adriano Moreira fez noventa anos, e o prof. Marcelo Rebelo de Sousa comentava no Domingo, com admiração, o facto de Adriano Moreira, apesar dos seus noventa anos, se interessar por coisas novas, de ele ainda gostar de aprender. Nesta matéria sei mais que o Professor, posso esclarecê-lo. Esta coisa espantosa que se chama cérebro humano é feita para acumular saber. Fá-lo ao longo dos anos, quer o dono do cérebro o queira ou não. Não para aos noventa anos, sou disso testemunha, já que poucos meses me separam de Adriano Moreira. Não aprendemos para fins de ordem utilitária. Não aprendemos com qualquer fim em vista. Aprendemos porque sim. Enquanto o nosso cérebro trabalha, aprendemos e gostamos de saber.

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